domingo, 10 de março de 2013

Uma análise: levando em conta o discurso


O discurso que está imbricado nessa reportagem, está mais implícito do que parece mostrar. É preciso que tomemos nota acerca do dito e o não-dito. Como assim? A imagem apresenta uma cena que pode ser considerada, de modo geral, como uma cena meio bruta, pois vemos a Presidente do país, Dilma Rousseff puxando literalmente a camisa de Joaquim Barbosa. O que tem demais nisso? Para entendermos melhor, saibamos o que é STF, clicando aqui.

Sabemos que Barbosa por ser membro e presidente do STF, tem por obrigação julgar e defender a Constituição Federal. Logo é impossível o STF ficar longe da política. Para uma leitura que vai além da linguagem, temos um discurso que se faz presente ao dizer que a nociva presença política no Judiciário é sinal de fraqueza. O STF serve para julgar até a "política". Como será possível mantê-lo longe da política?

Tomamos aqui a perspectiva de que a linguagem sempre está vinculada a um contexto e refrata um posicionamento ideológico. Assim, podemos entender o porquê de Rousseff segura a camisa de Barbosa. O jornal faz uma remissão aos escândalos em que o PT esteve envolvido, dai resulta a preocupação de a Presidente querer manter o judiciário próximo, aos seus próprios interesses.

Elementos necessários à análise


Língua versus Linguagem



A língua não pode ser confundida com a linguagem, pois ela é apenas uma parte desta. Ela é um modelo abstrato que foi criada por teóricos embasados na linguagem falada, isto é viva e real.  Pode ser considerada como um produto social da faculdade da linguagem, portanto, é um conjunto de convenções (signos) necessárias. A linguagem por si é multifome, pois caminha por diversos domínios (físico, fisiológico e psíquico), além disso, ela pertence ao domínio social e individual do sujeito. A linguagem não pode ser classificada em nenhuma categoria dos fatos humanos, enquanto a língua (diferente por isso, também) é um todo em si, e um princípio de classificação.



O que é discurso?

Discurso (como é entendido aqui) é o meio pelo qual se expõe determinado assunto. Isto é, um conjunto de ideias organizadas, por meio da linguagem, que tem como objetivo induzir, influir no raciocínio ou no sentimento do leitor. Dessa maneira, podemos dizer que o discurso é algo que sustenta e ao mesmo tempo é sustentado por meio de ideologias em vigor em determinada sociedade. Ou seja, o discurso é baseado em um conjunto de pensamentos e visões de mundo (posição social) que permitem que um grupo ou uma instituição se sustentem em relação à sociedade, levando em conta a sua defesa (a defesa aqui deve ser entendida como a coerência de interesses) e legitimando a sua ideologia (como verdade).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O círculo de Bakhtin


O pensamento bakhtiniano não é constituído apenas pelos escritos do filósofo da linguagem Mikhail Mikhalovich Bakhtin (1895-1975), mas também pela produção de intelectuais de diferentes áreas que com ele participaram, nas Rússias compreendidas entre os anos 1920 e 1970, de vários e produtivos Círculos de discussão e construção de uma postura singular em relação à linguagem e seus estudos. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Mikhail Bakhtin, o filósofo do diálogo

Ao analisar o discurso na arte e na vida, o russo revolucionou a teoria linguística no século 20

Tatiana Pinheiro (novaescola@atleitor.com.br)


Mikhail Bakhtin. Ilustrações: Sattu
Mikhail Bakhtin
Mikhail Bakhtin dedicou a vida à definição de noções, conceitos e categorias de análise da linguagem com base em discursos cotidianos, artísticos, filosóficos, científicos e institucionais. Em sua trajetória, notável pelo volume de textos, ensaios e livros redigidos, esse filósofo russo não esteve sozinho. Foi um dos mais destacados pensadores de uma rede de profissionais preocupados com as formas de estudar linguagem, literatura e arte, que incluía o linguista Valentin Voloshinov (1895-1936) e o teórico literário Pavel Medvedev (1891-1938). texto

Um dos aspectos mais inovadores da produção do Círculo de Bakhtin, como ficou conhecido o grupo, foi enxergar a linguagem como um constante processo de interação mediado pelo diálogo - e não apenas como um sistema autônomo. "A língua materna, seu vocabulário e sua estrutura gramatical, não conhecemos por meio de dicionários ou manuais de gramática, mas graças aos enunciados concretos que ouvimos e reproduzimos na comunicação efetiva com as pessoas que nos rodeiam", escreveu o filósofo.

Segundo essa concepção, a língua só existe em função do uso que locutores (quem fala ou escreve) e interlocutores (quem lê ou escuta) fazem dela em situações (prosaicas ou formais) de comunicação. O ensinar, o aprender e o empregar a linguagem passam necessariamente pelo sujeito, o agente das relações sociais e o responsável pela composição e pelo estilo dos discursos. Esse sujeito se vale do conhecimento de enunciados anteriores para formular suas falas e redigir seus textos. Além disso, um enunciado sempre é modulado pelo falante para o contexto social, histórico, cultural e ideológico. "Caso contrário, ele não será compreendido", explica a linguista Beth Brait, estudiosa de Bakhtin e professora associada da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), ambas na capital paulista.

Nessa relação dialógica entre locutor e interlocutor no meio social, em que o verbal e o não-verbal influenciam de maneira determinante a construção dos enunciados, outro dado ganhou contornos de tese: a interação por meio da linguagem se dá num contexto em que todos participam em condição de igualdade. Aquele que enuncia seleciona palavras apropriadas para formular uma mensagem compreensível para seus destinatários. Por outro lado, o interlocutor interpreta e responde com postura ativa àquele enunciado, internamente (por meio de seus pensamentos) ou externamente (por meio de um novo enunciado oral ou escrito)
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